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Qumbe Doces Africanos em…Uma busca pela ancestralidade

O meu trabalho representa autoconhecimento e realização.

A vontade de se descobrir e ir ao encontro às próprias raízes foi o que motivou Thaís, empreendedora e idealizadora da Qumbe Doces Africanos, a mudar a proposta do seu empreendimento. Lá no início, em 2017, quando decidiu empreender, o seu negócio era focado em biscoitos decorados para café, eventos e aniversários, mas faltava algo. No ano de 2019, ao participar do Afrolab, um projeto da Feira Preta que promove apoio ao empreendedorismo, que Thaís percebeu um novo chamado para o seu negócio. Foi então que Sweets, a biscoiteria virou Qumbe Doces Africanos

Com a ideia e a empolgação a todo vapor, começou o trabalho de pesquisa e aprendizado. “Eu decidi que eu precisava trazer uma coisa que está em mim, um questionamento meu, como mulher negra”, conta Thaís. O primeiro passo era achar livros de receitas africanas e começar a estudar. Fácil, né? Com certeza não! A dificuldade era bem maior do que ela esperava. “Se eu for em uma livraria e procurar livros de culinária francesa vai ter uma sessão, mas africana não tem nada”, relata ela. O jeito foi continuar pesquisando.

Pesquisa vai, pesquisa vem, até que ela encontrou um antropólogo que adora cozinha e que talvez pudesse ter o que ela precisava. Raul Lody e seus livros foram as primeiras referências para criar as suas receitas, mas ainda faltava uma referência mais próxima da cultura africana, alguém que conversasse com a ancestralidade que ela tanto queria buscar. “Eu gosto muito dos livros do Raul, mas sempre ficava pensando como que não tem literatura? Precisa que um homem branco vá até a África estudar a nossa história?”, lembra-se a empreendedora. 

Em suas pesquisas encontrou um nome em especial, Sandra Nobre, uma chef angolana que mora em Portugal. Hoje representa para Thaís, uma das maiores referências relacionadas à culinária e à cultura. Algumas dificuldades idiomáticas com o português brasileiro e o português de Portugal atualmente são motivos de riso.”No início foi muito engraçado, porque xícara em portugal tem outro nome e outras coisas também. Por exemplo, me deparei com a frase: coloca no lume e eu misericórdia! O que é lume? E é o fogo!”, conta dando risada.

Outros nomes surgiram, entre eles várias africanas que também cozinhavam e serviram de referência para Thaís, mas mais uma vez o idioma dificultava um pouquinho (ou muito!). “O inglês era bem difícil de entender. Eu ficava olhando a receita, tentando fazer e tentando entender o que elas estavam falando, não foi fácil, mas eu consegui!”, expõe ela. 

Os motivos para comemorar não faltam! E eles têm nome e sobrenome e estão todos no cardápio. Africanas de coco, um docinho considerado o Brigadeiro dos africanos, foi adaptado por Thaís para ingredientes mais acessíveis no Brasil. “A receita original é com amêndoa triturada, mas como aqui é muito caro, eu adaptei para amendoim”, revela ela. A Trufa de Quitaba também. Na África, o próprio amendoim é enrolado e passado no cacau em pó e depois na amêndoa, mas devido a oleosidade do ingrediente, derrete muito fácil. Então, na receita da empreendedora, é feita uma trufa de chocolate com recheio de amendoim e amêndoas para decorar. É uma iguaria que desperta muito a curiosidade das pessoas por ser um doce feito com chocolate, amendoim e pimenta. “É engraçado, porque as pessoas mordem e falam que não tem pimenta. Quando terminam de engolir falam: Ah, achei a pimenta!”, conclui.

E não para por aí! O cardápio tem quase 18 doces da culinária africana. Thaís conta que um dos doces lembra muito o nosso bolinho de chuva, o Koekesister. “A diferença é que quando termina de fazer, ele é imergido em uma cauda de canela, gengibre e baunilha. É um dos que eu mais gosto, porque lembra casa de vó”, conta ela. O Honey Cake é um bolo que na África é a sobremesa para comer no chá da tarde, uma tradição que permaneceu devido a forte colonização inglesa no local. 

O produto estrela desse cardápio de dar água na boca é a Torta do General, um doce fino e sofisticado feito à base de massa de amêndoa, recheio de geleia de Damasco e cobertura de merengue de coco. Impossível não amar! É claro, não podíamos deixar de falar do Qumbe, doce que deu nome ao empreendimento de Thaís. “Ele lembra um quebra-queixo, mas com a textura do beijinho”. Difícil é querer experimentar um só!

Relação com o Consulado

Thaís conheceu o Consulado através de uma empreendedora que passou pelo Programa de Educação. Foram algumas tentativas de inscrição, até que finalmente conseguiu. Com o início das aulas, veio o desafio de conciliar os momentos de pôr a mão na massa, colocar a matemática em dia e precificar os produtos da forma correta. “No Consulado eu aprendi o que é lucro, o que é o gasto da casa, o que é o seu insumo e a explicação é de uma maneira que você entende”, conta ela. 

O programa de Educação Empreendedora do Consulado da Mulher também ajudou em algumas outras questões, como a organização do tempo e das funções e a entender que o negócio é de fato uma empresa. 

Em 2019 teve a honra de expor os seus doces na Feira Preta e com a volta dos eventos já tem recebido diversos outros convites.

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